A sua idade determina seus investimentos?

Sabe aquele ditado que você deve diminuir os riscos dos seus investimentos conforme sua idade aumenta? Não é bem assim.

Este artigo está embasado em um dos livros mais aclamados de todos os tempos no mercado financeiro: O Investidor Inteligente – Benjamin Graham.

É uma questão comum entre os investidores sobre qual é a alocação ideal entre os diversos tipos de produtos financeiros como ações e títulos públicos. Esse debate sempre está acompanhado de outro ingrediente: a idade do investidor.

É popularizada a ideia de que quanto mais novo você inicia no mundo dos investimentos, maior deve ser seu apetite ao risco. Conforme os anos passam, gradativamente diminui a exposição em investimentos mais arriscados. A fim de usufruir dos recursos acumulados. Para isso, não é necessário manter uma taxa de retorno agressiva como era no passado.

Vide uma explicação no livro, a qual diz que é bastante conhecida a “regra de bolso”. Que consiste em subtrair sua idade de 100 e investir esta percentagem em ações e o residual em títulos ou outros ativos de renda fixa. Isso é: uma jovem de 30 anos colocaria 70% do seu dinheiro em ações. Já um senhor de 80 anos investiria apenas 20% em ações.

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Por que a idade determinaria o tamanho do risco a correr? Seria tolice um indivíduo de 89 anos com US$3 milhões, uma aposentadoria substancial e um bando de netos transferir a maior parte de seu patrimônio para os títulos. Ele já tem renda suficiente, e seus netos (que podem herdar suas ações mais tarde) têm décadas de investimento pela frente. Por outro lado, um indivíduo de 25 anos que está poupando para casar e dar um sinal em um imóvel seria louco se colocasse todas suas economias em ações. Se o mercado acionário cair  repentinamente, ele não terá a receita dos títulos para diminuir seus prejuízos ou ajudar a compensar as perdas.

No mais, independentemente de sua idade, você pode repentinamente precisar sacar seu dinheiro das ações não daqui a quarenta anos, mas daqui a quarenta minutos. Sem qualquer aviso, você pode perder o emprego, se divorciar, se tornar um deficiente físico ou sofrer sabe-se lá que surpresa. O inesperado pode surpreender qualquer um, em qualquer idade. Todo mundo deve manter parte de seu patrimônio naquele abrigo sem riscos representado pelo dinheiro.

Pelo menos 25% em Títulos

Sabe aquele medo de perder tudo? Mesmo quando você se considera experiente e acha que não sofrerá com a queda das ações, é muito possível que tudo ocorra ao contrário quando suas ações virarem centavos. A maioria de nós não consegue prever como reagiremos a um evento com carga emocional elevada no futuro.

Enquanto os noticiários informam diariamente que o índice está alcançando recordes históricos, as pessoas vencem o medo imprudentemente (sem conhecimento). Porém, estimuladas pelo marketing das corretoras, começam aplicar seus recursos em ações. Esse movimento de “manada” onde o público leigo segue “terceiros” e não se responsabiliza pelas próprias decisões é mais comum do que imaginamos.

É muito prazeroso ver nossas ações subirem por anos seguidos e achar que estamos casados com elas para sempre. Porém, quando você vê todo o dinheiro investido virar centavos, fica difícil resistir a uma debandada rumo à “segurança” dos títulos e do dinheiro.

Em vez de comprar e manter suas ações, muitas pessoas acabam comprando caro, vendendo barato. Assim ficando com nada, exceto a própria cabeça, nas mãos.

Uma maneira para trazer tranquilidade a qualquer investidor, é manter pelo menos 25% dos seus recursos aplicados em títulos. O fato dessa parcela dos seus investimentos estar “protegida” enquanto o mercado de ações está em baixa lhe proporciona a sensação de segurança evitando se desfazer dessas.

Qual o tamanho do risco que você pode correr?

Para obter uma visão melhor sobre o tamanho do risco que você pode correr, pense sobre as circunstâncias fundamentais de sua vida. Quando elas irão acontecer, quando elas podem mudar e como elas podem afetar suas necessidades de dinheiro? Veja os exemplo abaixo:

  • Você é solteiro(a) ou casado(a)? Qual a profissão de seu cônjuge ou companheiro(a)?
  • Você tem ou pretende ter filhos? Quando é que as contas escolares começarão a chegar?
  • Você vai herdar dinheiro ou terminará sendo responsável pelo apoio financeiro a pais idosos e doentes?
  • Que fatores podem atrapalhar sua carreira? (Se você trabalha em um banco ou em uma construtora, um salto nas taxas de juros poderá deixá-lo desempregado. Se você trabalha para um fabricante de produtos químicos, a rápida elevação dos preços do petróleo pode trazer más notícias.)
  • Se você trabalha por conta própria, por quanto tempo negócios como o seu sobreviverão?
  • Você precisa dos investimentos para complementar sua renda? (Em geral, as obrigações o farão; as ações, não.)
  • Considerando seu salário e suas necessidades de gastos, quanto dinheiro você pode se dar ao luxo de perder com seus investimentos?

Se, após avaliar esses fatores, você sentir que pode assumir os riscos maiores inerentes a uma parcela maior de ações, sua posição deve se aproximar do mínimo de 25% em títulos recomendado por Graham. Caso contrário, deixe as ações de lado e aproxime-se do máximo sugerido por Graham de 75% em títulos de longo ou curto prazo ou dinheiro.

Uma vez estabelecidas as porcentagens-alvo, mude-as se sua vida mudar. Não compre mais ações porque o mercado acionário subiu; não as venda porque ele desceu. O ponto central da abordagem de Graham é substituir a adivinhação pela disciplina.

Considerações finais

Está claro que são muitos as variáveis que regem a alocação de ativos. Ou que pelo menos deveriam ser levadas em consideração. Apesar de parecer fazer sentido, a idade não é um fator determinante. 

Antes de qualquer aplicação no mercado financeiro, o futuro investidor deve ter um conhecimento básico dos produtos disponíveis. Como: ações, títulos públicos, fundos imobiliários, cdb’s, fundos de ações, fundos de renda fixa, etc. E com este conhecimento, alinhar sua realidade financeira e de objetivos. Os quais  determinarão os riscos que ele estará apto a correr, aos produtos financeiros disponíveis.

Com o tempo, após iniciar as aplicações, a prática lhe trará mais facilidade para entender as “entrelinhas” dos mais diversos tipos de investimento. Por consequência, poderá adaptar seu planejamento inicial ao método de distribuição que agora acredita ser mais fiel aos seus objetivos e tolerância ao risco.

Adote um sistema para vigilância. O qual vai daptando constantemente os percentuais atuais dos diversos tipos de investimentos do seu portfólio aos objetivos traçados anteriormente. Para isso, periodicamente (a cada bimestre, semestre ou a cada aporte), veja quais dos seus ativos está mais deficitário ante o percentual de objetivo.

Leia também: Onde investir? Como direcionar o aporte do mês.

A beleza desse acerto periódico é que ele força você a tomar suas decisões de investimento com base em uma pergunta simples e objetiva: “Possuo atualmente mais deste ativo do que está previsto em meus planos?”, em vez de um exercício de pura adivinhação sobre possíveis mudanças nas taxas de juros ou se você acredita que a Bolsa irá desabar.

 

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