O dinheiro traz felicidade?

O ditado diz que “dinheiro não traz felicidade”. É verdade isso?

Duvido muito que você nunca parou para refletir sobre a relação entre dinheiro e felicidade. Até mesmo porque eles parecem ser dois pilares do período em que vivemos. A felicidade sendo o objetivo máximo da nossa existência. E o dinheiro sendo necessário para manter nossos gastos desde essenciais até luxos pessoais.

Vários intelectuais já tentaram resolver o impasse da felicidade. Entre eles o psicólogo Abraham Maslow. O qual sugeriu que os motivos humanos para a conquista da felicidade podem ser organizados segundo uma hierarquia, que ficou conhecida como a Pirâmide de Maslow.

Na base da pirâmide, estão as nossas necessidades mais básicas. As mais complexas vão se afunilando no topo dela. Assim, conseguimos ter uma noção melhor do que precisamos para sermos felizes. Mas ainda não resolvemos os problemas financeiros. Por isso, fica a incessante reflexão: quanto de dinheiro preciso para ser feliz?

Como quantificar esta relação?

Uma curva muito comum que tenta esclarecer esse dilema é A Curva da Satisfação (The Fulfillment Curve):

Ela relaciona os gastos com a satisfação trazida com eles. Na primeira metade, é notada uma curva crescente. Passando pelos três pontos seguintes: quanto dinheiro preciso para sobreviver, para ter conforto e para manter meus luxos pessoais. Neste último ponto, encontra-se a quantidade suficiente para ter a satisfação máxima. Depois deste ponto, está o consumo excessivo, e o gráfico torna-se decrescente. Ou seja, a satisfação diminui mesmo tendo mais dinheiro para gastar.

Porém, apesar de A Curva da Satisfação ser um bom instrumento de observação, ela ainda é um tanto abstrata. Ela não apresenta balizadores numéricos reais.

Aqui queremos trazer exemplos mais objetivos, para facilitar a aplicação prática dos nosso leitores. Por isso, trazemos uma pesquisa feita com 450 mil pessoas pelo economista Angus Deaton e pelo psicólogo Daniel Kahneman, da Universidade de Princeton. Ela mostrou que a felicidade está vinculada ao dinheiro até certo ponto. Acima desse limite, o aumento de renda per capita não impacta no bem-estar emocional. 

Na parte inicial do gráfico, de zero a 3,5 mil dólares por ano, o aumento da renda é seriamente impactante no aumento do bem-estar. De 3,5 mil a 12 mil dólares por ano, ainda é impactante, mas um pouco menos. De 12 mil a 70 mil dólares por ano, ainda há relação entre acréscimo de renda e felicidade. A partir de 75 mil dólares por ano, praticamente não se enxerga essa relação entre aumento de dinheiro e felicidade. Evidentemente, esses valores foram propostos para a realidade de poder aquisitivo do país pesquisado.

Ainda assim, grande parte das pessoas deseja ser extremamente rica. Porque acredita que só encontrará a felicidade quando enriquecer. Parando para pensar a fundo sobre a questão, veremos que a relação entre felicidade e riqueza é falsa.

O que te deixa feliz?

Provavelmente, você já parou para pensar no que te deixa feliz. Creio que esta seja uma das maiores indagações da nossa existência. Obviamente, esta é uma pergunta muito pessoal. Pois cada pessoa tem uma percepção diferente em relação à vida. Também, somos bastante influenciados pelo que acontece no dia a dia. Para mostrar uma visão geral do que mais contenta as pessoas, precisaria ser feito um estudo com uma amostra muito grande. A fim de reduzir a influência dos fatores subjetivos citados anteriormente. Com isso, a revista Time realizou uma pesquisa que indica quais os principais motivos que deixam as pessoas felizes (as respostas estão em ordem descrescente de significância):

  1. Relacionamento com os filhos ou crianças
  2. Amizades
  3. Caridade
  4. Relacionamento com marido/esposa ou namorado(a)
  5. Grau de controle sobre sua vida e seu futuro
  6. Coisas que você faz em seu tempo livre
  7. Relacionamento com os pais
  8. Religião

Percebe-se que, para a maioria das respostas, não é necessário muito dinheiro. Em outras já não precisa de nenhum recurso financeiro.

O que é válido comentar, é que bens materiais não aparecem nas respostas. Mesmo que eles proporcionem um bem-estar temporário, bens materiais não vão suprir a falta de felicidade. É o mesmo caso dos pais que tentam suprir a falta de tempo aos filhos com mais e mais presentes. Cuidado para não entrar na corrida dos ratos!

Para finalizar

Então, da mesma forma que uma casa grande não necessariamente forma um lar, o dinheiro não é sinônimo de felicidade. Isso não quer dizer que você deve seguir uma vida sem objetivo de riqueza, pelo contrário. Ter dinheiro evita momentos desgastantes durante a vida e pode ser um potencializador para novas oportunidades. As quais podem gerar mais satisfação.

Entretanto, a maioria das pessoas confunde os meios com os fins. Elas perseguem o dinheiro e as coisas na tentativa de se sentirem realizadas, mas suas escolhas são impulsivas e, provavelmente, aleatórias. Esse “medicamento” varejista não aborda a causa raiz de sua infelicidade: faltam objetivos e um sistema de valor para ajudar a orientar suas decisões.

 

 

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