Educação financeira na infância: 7 a 10 anos

Essa postagem é a continuação da série de educação financeira na infância Parte 1. Que dava início a como educar seu filho para ter uma relação saudável com o dinheiro.

Qual o próximo passo?

Depois que a criança já souber fazer a divisão da sua mesada em poupança de longo prazo, reservas de emergências, caixa de presentes/doações e gastos correntes, partimos para o próximo passo.

Agora, com 7 anos, as crianças têm uma noção melhor das ferramentas matemáticas. Então já se pode inserir conversas sobre como fazer o dinheiro crescer. E é exatamente isso que vamos ensinar: fazer o dinheiro se multiplicar. Começando pelo banco (algo que muitos adultos ainda não sabem).

O sistema de crédito bancário

Um simples exemplo com números faz com que a criança entenda. Pode conversar com seu filho que para fazer o dinheiro se multiplicar, ele vai levar o dinheiro guardado no porquinho (30 reais por exemplo) até o banco. Enquanto tem quem vá ao banco para emprestar o dinheiro poupado, há outros que vão ao banco para pegar dinheiro emprestado. Assim, por exemplo, tem o padeiro que quer comprar uma máquina nova para fazer mais bolos, pois tem muitas pessoas que comem bolo. Assim, ele quer fazer mais para vender mais. Logo, para comprar essa máquina, ele precisa de 150 reais.

O padeiro vai até o banco e pega emprestado de 5 crianças que economizaram dinheiro para por no banco para o fazer crescer. Então o padeiro combina com o banco que ele vai pegar os 150 reais das crianças para comprar a máquina para produzir mais. Depois que vender bastante bolo, ele devolverá os 150 reais para as crianças mais um lucro para cada.

Depois de um ano, o padeiro vendeu 500 reais em bolo. 200 reais ele vai pegar para guadar para ele, 150 vai devolver ao banco para pagar as crianças e vai dar ao banco os outros 150 reais de lucro. Desses últimos 150 reais, o banco vai distribuir 10 reais para cada uma das 5 crianças. Como forma de lucro por terem abrido mão de seus 30 reais por um ano. Os 100 reais que sobraram vão para o banco como forma de pagamento pelos seus serviços.

Para facilitar,  recomendamos que você desenhe no papel esse processo. Pois a criança fica mais entretida e tende a entender melhor.

O que mais posso fazer?

Assim que ele entender como funciona o sistema de crédito bancário, você pode ir com seu filho ao banco para abrir uma simples conta poupança. Acompanhando o extrato todo mês para mostrar o dinheiro crescendo pouco a pouco na conta dela. Também, é relevante ensinar que não existem promessas milagrosas para fazer o dinheiro crescer. Ele cresce lentamente, como uma árvore.

Aviso: para esta idade, o dinheiro físico ainda é mais recomendado porque é muito mais visual e compreensível. Então, a mesada continua sendo em dinheiro em papel ou moedas e o porquinho ainda fica (paralelo à conta poupança).

Além disso, você deve ensinar como funciona a forma de pagamento de compras parceladas. Que não foge do sistema de crédito bancário. Ensinando que, caso queira comprar algo muito desejado, mas não tem o montante necessário no momento, você pode comprar parcelado. Mostrando que, dessa forma, paga-se juros pelo benefício do parcelamento. E que, no final, a compra fica mais custosa do que pagando à vista.

Outra atividade bacana de se praticar é conversar com a criança pedindo para ela listar as coisas que ela usa e precisa no dia a dia. Depois, saírem para levantar os preços dos itens listados. A fim de gerar uma ideia de quanto custa o orçamento dela.

A proposta de trocar dinheiro por participação nas tarefas domésticas, com mais responsabilidade, continua sendo interessante. Mostrando o valor do dinheiro vindo do trabalho.

No próximo post, o último da série de 3 partes sobre educação financeira na infância, abordaremos a fase dos 11 a 13 anos.

Caso haja mais interesse neste assunto, recomendamos assistir a este vídeo.

 

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